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Entenda o resseguro e sua importância no mercado segurador

Publicado: 1 agosto, 2025
Atualizado: 1 agosto, 2025
Profissional apresenta gráficos de desempenho e análise de riscos em uma tela grande para colegas de trabalho em ambiente corporativo. A imagem representa gestão estratégica, análise financeira e tomada de decisão no setor de seguros. Logotipo da Certa Seguros no canto superior esquerdo.

O que é resseguro?

O resseguro é o seguro do seguro: uma operação em que a seguradora transfere parte dos riscos assumidos para outra empresa, a resseguradora. Esse mecanismo protege o balanço das seguradoras contra perdas catastróficas ou volumes de sinistros acima do esperado, garantindo capacidade para honrar indenizações mesmo em cenários extremos.

Como funciona e para que serve?

  • Cessão: a seguradora (cedente) repassa uma fatia do risco — e do prêmio correspondente — à resseguradora.
  • Retrocessão: a resseguradora, por sua vez, pode transferir parte desse risco a outras resseguradoras, pulverizando a exposição global.
  • Modalidades:
    • Proporcional (quota-share, surplus): a resseguradora participa dos prêmios e sinistros na mesma proporção acordada.
    • Não proporcional (excesso de perdas, stop-loss): cobre sinistros que ultrapassem determinado limite, atuando como “dedutível” para grandes eventos.

Na prática, o resseguro aumenta a capacidade de subscrição, estabiliza resultados e viabiliza seguros de alto valor ou alta severidade, como óleo & gás, aviação e catástrofes naturais.

Por que é crucial para o mercado segurador?

Proteção de solvência: reduz volatilidade no resultado das seguradoras.
Expansão de capacidade: permite emitir apólices maiores ou novas linhas de negócio.
Transferência de know-how: resseguradoras globais compartilham modelagem de riscos, analytics e engenharia de prevenção.
Estabilidade sistêmica: distribui grandes perdas entre vários players, prevenindo colapsos locais e preservando as carteiras das seguradoras.

Breve história do resseguro no Brasil

Período pré-IRB (antes de 1939)

Até o início do século XX, seguradoras brasileiras recorriam a resseguradoras estrangeiras de forma descentralizada, sem regra uniforme. A falta de coordenação reduzia a retenção de prêmios no país e criava incertezas regulatórias.

Criação do IRB – Instituto de Resseguros do Brasil (1939)

Em 1939, o governo Getúlio Vargas fundou o IRB Brasil Re, concedendo-lhe monopólio de resseguro. Todas as seguradoras eram obrigadas a ceder parte dos riscos ao IRB, que redistribuía parcela no exterior e mantinha reservas no mercado doméstico. Esse modelo garantiu retenção de divisas, supervisionou tarifas e padronizou cláusulas, mas limitou a concorrência e o avanço tecnológico.

Abertura do mercado – Lei Complementar 126/2007

Com a LC 126/2007, o Brasil quebrou o monopólio e criou três categorias de resseguradoras: locais, admitidas e eventuais. O IRB foi transformado em sociedade de economia mista e passou a disputar mercado com players globais. A abertura:

  • Aumentou a capacidade disponível para catástrofes, infraestrutura e riscos corporativos.
  • Introduziu concorrência em taxas e serviços de modelagem.
  • Alinhou o país às práticas internacionais do Índice de Basileia (Basel II/III) e a Diretiva Solvência II de 2009 (Solvency II, da UE).

Resseguro hoje: tendências e desafios

O mercado brasileiro movimenta mais de R$ 26,3 bilhões em prêmios de resseguro anuais (fonte: IRB(Re)), com crescente participação de resseguradoras locais em linhas como property, vida e agrícola. Desafios incluem eventos climáticos severos, volatilidade cambial e demanda por produtos paramétricos. Tecnologias de modelagem climática, big data e inteligência artificial estão redesenhando a precificação de riscos, enquanto o IRB e concorrentes globais disputam espaço em programas governamentais e grandes obras.

Conclusão

Do monopólio estatal à abertura competitiva, o resseguro evoluiu para se tornar pilar de solvência e motor de inovação no mercado brasileiro. Ele sustenta a emissão de apólices complexas, protege o sistema financeiro e garante que seguradoras possam indenizar clientes mesmo em catástrofes de grande escala. Entender sua dinâmica é essencial para qualquer profissional ou empresa que atue no setor de seguros.

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Resumo:

Resseguro é o “seguro das seguradoras”: transfere parte das indenizações potenciais a resseguradoras, preservando a solvência das companhias e viabilizando apólices de grande porte. No Brasil, a atividade evoluiu do monopólio estatal do IRB (1939 – 2007) para um mercado aberto que ampliou capacidade e inovação. Este artigo visa esclarecer, de forma simplificada, o papel essencial do resseguro no setor de seguros.

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