Entenda o resseguro e sua importância no mercado segurador
O que é resseguro?
O resseguro é o seguro do seguro: uma operação em que a seguradora transfere parte dos riscos assumidos para outra empresa, a resseguradora. Esse mecanismo protege o balanço das seguradoras contra perdas catastróficas ou volumes de sinistros acima do esperado, garantindo capacidade para honrar indenizações mesmo em cenários extremos.
Como funciona e para que serve?
- Cessão: a seguradora (cedente) repassa uma fatia do risco — e do prêmio correspondente — à resseguradora.
- Retrocessão: a resseguradora, por sua vez, pode transferir parte desse risco a outras resseguradoras, pulverizando a exposição global.
- Modalidades:
- Proporcional (quota-share, surplus): a resseguradora participa dos prêmios e sinistros na mesma proporção acordada.
- Não proporcional (excesso de perdas, stop-loss): cobre sinistros que ultrapassem determinado limite, atuando como “dedutível” para grandes eventos.
Na prática, o resseguro aumenta a capacidade de subscrição, estabiliza resultados e viabiliza seguros de alto valor ou alta severidade, como óleo & gás, aviação e catástrofes naturais.
Por que é crucial para o mercado segurador?
— Proteção de solvência: reduz volatilidade no resultado das seguradoras.
— Expansão de capacidade: permite emitir apólices maiores ou novas linhas de negócio.
— Transferência de know-how: resseguradoras globais compartilham modelagem de riscos, analytics e engenharia de prevenção.
— Estabilidade sistêmica: distribui grandes perdas entre vários players, prevenindo colapsos locais e preservando as carteiras das seguradoras.
Breve história do resseguro no Brasil
Período pré-IRB (antes de 1939)
Até o início do século XX, seguradoras brasileiras recorriam a resseguradoras estrangeiras de forma descentralizada, sem regra uniforme. A falta de coordenação reduzia a retenção de prêmios no país e criava incertezas regulatórias.
Criação do IRB – Instituto de Resseguros do Brasil (1939)
Em 1939, o governo Getúlio Vargas fundou o IRB Brasil Re, concedendo-lhe monopólio de resseguro. Todas as seguradoras eram obrigadas a ceder parte dos riscos ao IRB, que redistribuía parcela no exterior e mantinha reservas no mercado doméstico. Esse modelo garantiu retenção de divisas, supervisionou tarifas e padronizou cláusulas, mas limitou a concorrência e o avanço tecnológico.
Abertura do mercado – Lei Complementar 126/2007
Com a LC 126/2007, o Brasil quebrou o monopólio e criou três categorias de resseguradoras: locais, admitidas e eventuais. O IRB foi transformado em sociedade de economia mista e passou a disputar mercado com players globais. A abertura:
- Aumentou a capacidade disponível para catástrofes, infraestrutura e riscos corporativos.
- Introduziu concorrência em taxas e serviços de modelagem.
- Alinhou o país às práticas internacionais do Índice de Basileia (Basel II/III) e a Diretiva Solvência II de 2009 (Solvency II, da UE).
Resseguro hoje: tendências e desafios
O mercado brasileiro movimenta mais de R$ 26,3 bilhões em prêmios de resseguro anuais (fonte: IRB(Re)), com crescente participação de resseguradoras locais em linhas como property, vida e agrícola. Desafios incluem eventos climáticos severos, volatilidade cambial e demanda por produtos paramétricos. Tecnologias de modelagem climática, big data e inteligência artificial estão redesenhando a precificação de riscos, enquanto o IRB e concorrentes globais disputam espaço em programas governamentais e grandes obras.
Conclusão
Do monopólio estatal à abertura competitiva, o resseguro evoluiu para se tornar pilar de solvência e motor de inovação no mercado brasileiro. Ele sustenta a emissão de apólices complexas, protege o sistema financeiro e garante que seguradoras possam indenizar clientes mesmo em catástrofes de grande escala. Entender sua dinâmica é essencial para qualquer profissional ou empresa que atue no setor de seguros.
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Resumo:
Resseguro é o “seguro das seguradoras”: transfere parte das indenizações potenciais a resseguradoras, preservando a solvência das companhias e viabilizando apólices de grande porte. No Brasil, a atividade evoluiu do monopólio estatal do IRB (1939 – 2007) para um mercado aberto que ampliou capacidade e inovação. Este artigo visa esclarecer, de forma simplificada, o papel essencial do resseguro no setor de seguros.